quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

DA ÉTICA


Nos últimos anos, o tema "ética" saiu da esfera dos especialistas, passando a freqüentar manchetes de jornais e conversas cotidianas. O movimento em direção a uma sociedade ética reflte a insatisfação do homem com a realidade atual, marcada pela violência, pela impunidade e seu empenho em reordenar as relações sociais.
Nesse processo, porém, emerge a fragilidade do nosso tempo: a dificuldade humana em emitir juízos diante dos desafios cotidianos, em indentificar aquilo que deve ou não ser feito, revelando a inexistência de critérios que orientem a ação humana para além da reação imediata ou defesa de um interesse particular.
Não é à toa que a sociedade brasileira tem assistido a uma profusão de códigos que buscam normatizar todos os aspectos da vida. Definindo o que é aceitável ou não na esfera pública: do comportamento no trânsito ou em locais públicos até a atuação política, passando pelas relações de trabalho e uso da internet. Nesse sentido, tudo deve ser devidamente regulamentado para banir condutas indesejadas. Embora seja necessária para a convivência social, esta operação é limitada, já que os códigos não conseguem prever todas as situações e sempre há formas de burlar as regras.
Para aqueles que lucidamente identificam a raíz do problema e buscam ultrapassar os limites da normatização, a ética pressupõe, acima de tudo, o conhecimento sobre o próprio ser do homem. Sobre a natureza humana, constituída pelo desejo de realização plena. Para isso, se faz necessário criar espaços que propiciem a reflexão para ajudar o homem a tomar consciência de si mesmo, daquilo que o constitui. Descobrir-se, assim, ao lado de outros homens e a seu serviço no caminho de sua realização.
A realidade hoje é compreendida somente como um processo subjetivo e o homem reconhece como real apenas as impressões e emoções imediatas que vivencia, tomando-as como base para suas decisões. Disso, surge o maior desafio: é possível educar alguém para ser uma pessoa ética?
De certo modo sim. Ética pode ser exercida, provocada, mas não ensinado como um conteúdo. Valores não são ensinados, mas reconhecidos.
A educação moral do homem só ocorre quando se deixa o nível de imperativo- " devemos ser tolerantes e respeitar os outros"- e passa-se para o nível de fundamento- " por que devemos ser tolerantes e respeitar os outros" ?
Dessa forma, os valores ganham vida e as normas tornam-se caminho para a realização humana e não a negação da liberdade.

DIALÉTICA


A arte do diálogo, da contraposição e contradição de idéias que leva a outras idéias. O conceito de dialética, porém, é utilizado por diferentes doutrinas filosóficas e, de acordo com cada uma, assume um significado distinto.
Aqui, está empregada no sentido de que tudo que nos rodeia é pensado, explicado, discutido e concluído através das palavras. Nossas percepções e opiniões são traduzidas em forma de palavras e tudo ao nosso redor pode ser debatido, como resultado do confronto e do acordo entre interresses e pontos de vistas diferentes.
A visão totalizante é necessária para enxergar, e assim encaminhar uma solução à um problema. Hegel dizia que a verdade é o todo. Que se não enxergamos o todo, podemos atribuir valores exagerados à verdades limitadas, prejudicando a compreensão de uma verdade mais geral. Com o aumento da complexidade dos assuntos, fica mais fácil desconsiderar alguns fatos que dão uma visão mais ampla, que é demostrada pelo maior número de olhares, de olhares distintos, que saibamos empregar para ver uma mesma coisa.
Quanto maior esse número de olhares, tanto maior será nosso conceito sobre as coisas do mundo, tanto maior será nossa objetividade. Quando se pretende entender bem alguma coisa, é necessário não se fechar em apenas uma perspectiva, sempre existem outras possibilidades.
A vida é um fato. As palavras são possibilidades. Tudo o que está envolvido em um confronto de idéias exige um discernimento apurado para ponderar todas as questões. Senão, tudo não passaria de crição cerebrina.
A razão é exercida sobretudo através da língua. E a língua é o universo dentro do qual nescemos.