sexta-feira, 25 de maio de 2012

EVOLUÇÃO FILOSÓFICA:


   A filosofia me parece em nossos dias exercer entre os homens o mesmo papel que, de acordo com a tradição, tinham cereais e vinho, antigamente. No início existiam apenas cepas de videiras e espigas de grãos pelos campos afora; Sementes não haviam, nem cuidado para semear e plantar. Por isso vivia-se de bolotas, e qualquer um que tivesse ousado consumir frutas desconhecidas ou estranhas teria corrido o risco de ficar doente. 
   De maneira parecida à filosofia, isto é, a razão natural é inata no homem, pois cada um considera de algum modo e pondera até certo ponto.. Mas lá onde se necessita de uma longa série de razões, a grande maioria abandona o caminho, desanda e comete erros por falta de um método correto, de certa forma porque não dispõe de sementes para a semeadura. E o plantio não tem meios para aprimorar sua razão.
   O discurso de que filosofia boa é aquela atrelada aos resultados práticos pode não ser a mais pomposa, mas flui. E o excesso de questionamentos teóricos acerca de verdades mostram-nos os contínuos conflitos entre real e imaginário. A avaliação dessa problemática só pode ser feita, a meu ver, quando o indivíduo é situado dentro das exigências do sistema e de suas próprias necessidades. Para que seus questionamentos estejam mobilizados em função de suas conquistas e realizações de um bem comum , ao invés de apenas servirem para o seu gozo mental. Os filósofos apenas interpretam o mundo de forma diferente, o que importa é muda-lo.
  

sábado, 24 de maio de 2008

A SINCRONICIDADE

Sincronicidade - coincidência significativa de dois ou mais acontecimentos.
Acontecimentos normais - não excedem os limites das probabilidades.

Quando as coincidências se acumulam, é impossível que não fiquemos impressionados com isto, pois, quanto maior é o número dos termos de uma série desta espécie, e quanto mais extraordinário é o seu caráter, tanto menos provável ela se torna.

Todos esses fenômenos podem ser agrupados assim:

1. Coincidência de um estado psíquico do observador com um acontecimento objetivo externo e simultâneo, que corresponde ao estado ou conteúdo psíquico.

A causalidade é a maneira pela qual concebemos a ligação entre dois acontecimentos sucessivos. A sincronicidade designa o paralelismo de espaço e de significado dos acontecimentos psíquicos e psicofísicos, que nosso conhecimento científico até hoje não foi capaz de reduzir a um princípio comum. O termo em si nada explica; expressa apenas a presença de coincidências significativas, que, em si, são acontecimentos casuais, mas tão improváveis, que temos de admitir que se baseiam em algum princípio ou em alguma propriedade do objeto empírico. Em princípio, é impossível descobrir uma conexão causal recíproca entre os acontecimentos paralelos, e é justamente isto que lhes confere o seu caráter casual. A única ligação reconhecível e demonstrável entre eles é o significado comum (ou uma equivalência).

A sincronicidade é uma diferenciação moderna dos conceitos obsoletos de correspondência, simpatia e harmonia. Ela se baseia, não em pressupostos filosóficos, mas na experiência concreta e na experimentação.

Os fenômenos sincronísticos são a prova da presença simultânea de equivalências significativas em processos heterogêneos sem ligação causal; em outros termos, eles provam que um conteúdo percebido pelo observador pode ser representado, ao mesmo tempo, por um acontecimento exterior, sem nenhuma conexão causal. Daí se conclui: ou que a psique não pode ser localizada espacialmente, ou que o espaço é psiquicamente relativo.

Estas observações nos mostram que o fator psíquico que modifica ou elimina os princípios da explicação física do mundo está ligado à afetividade do sujeito da experimentação.

Fontes: A Sincronicidade - Jung

terça-feira, 22 de abril de 2008

PROJETO FUNDAMENTAL

Pedi o divórcio da minha mente! Até que ela me distraía, me mostrou novos caminhos e me ensinou muitas coisas, mas tocávamos um empreendimento juntos e nisso sim ela não é boa. Não sabe investir, ao querer tudo para agora se torna negligente com o proceder. Juntos, tivemos dois filhos, o Pensamento e a Imaginação. Sempre deixei a criação das crianças por conta da minha esposa, a mente. Com o tempo, acabei percebendo a limitação que a mente tem em fazer as crianças entenderem o que ela quer. Ela sempre foi bem intencionada, mas do que isso adianta se o objetivo não é alcançado. A situação é que meus filhos são a minha vida, sem eles eu não sou ninguém. E é exatamente por isso que não posso deixar a dona mente educá-los de forma errada. Separei-me dela. Durante um longo tempo brigamos pela guarda das crianças. Fiquei com o Pensamento e ela com a Imaginação. Este é o meu segundo casamento que não deu certo. Já fui casado com a Emoção. Ela era muito leviana, e apesar de intensa, não era serena, só ficava de bem com a vida quando tudo estava uma maravilha. Assim não da né, a vida é cheia de altos e baixos e não posso conviver com uma pessoa que seja refém dos próprios sentidos. Hoje, moro com meu filho Pensamento e outros três que tive quando ainda era jovem e solteiro, o Analítico, a Liberdade e a Lucidez. Tento de toda maneira ensinar aos meus filhos que a clareza de raciocínio que tanto almejam, infelizmente é aplicada aos dados fornecidos pelos sentidos. E por isso as contradições são normais. Estou namorando uma moça encantadora, o nome dela é Revelação. Na verdade ela tem muita dificuldade de engravidar, mas queremos muito ter um filho. Ultimamente estamos fazendo muitas tentativas e, apesar de nem saber se ela está grávida, já tenho o nome da criança. Vai se chamar Entendimento, Entendimento Objetivo da Vida. Às vezes me preocupo com a chegada do entendimento a este mundo. Quero muito que meu filho se de bem com o mundo. Nesse meio tempo, a Revelação passa a mão em minha cabeça e diz não ter com o que me preocupar, pois, independente da aceitação do mundo, ele será sempre o meu Entendimento. Temos que aceitá-lo do jeito que ele será e respeitar o mundo em que ele viver. Realmente a sábia revelação tem razão. Estou muito ansioso para a chegada do meu novo filho. Alguns me advertem para o cuidado com as expectativas, mas estou tranqüilo, tenho certeza que o entendimento virá logo após o período de gestação.

Muitos dizem que erro ao não perceber que ao invés de pai, sou filho de todos eles. Mil vezes não! Eu já fui uma resultante deles, já me deixei levar, mas hoje tenho a postura que um pai precisa ter para administrar bem o lar.

O projeto é grandioso, Só espero que minha ambição não seja maior que o meu talento. Afinal de contas, administrar “recursos humanos” é uma tarefa difícil..

terça-feira, 15 de abril de 2008

RELAÇÕES SOCIAIS



Em toda a história da humanidade, as relações sociais pareceram sempre ocorrer ao acaso, no sentido de que nunca foi feito um esforço para que todos pudessem usufruir de condições iguais. Os homens sempre planejaram como dominar outros povos e como tirar vantagens de tudo que fosse possível. Mas como manter um bom relacionamento com todos presentes dentro de uma comunidade bem como com outras, nunca foi algo muito considerado.
O ser humano conseguiu se diferenciar dos outros animais por sua capacidade de raciocínio. À medida que nosso cérebro foi se desenvolvendo, aprendemos muito, mas novas características também foram sendo adquiridas. Quanto mais inteligente o homem se tornou, tanto mais se fechou sobre o seu próprio mundo. A vontade de desenvolver cada vez mais as próprias potencialidades tirou de pauta o bem-estar da vida coletiva. Vida boa significa então, conquistar objetivos individuais. Pessoas com objetivos em comum formam classes. Assim, por mais contraditório que pareça, as individualidades se tornaram coletivas.
Este não é pensamento apenas de nosso tempo, um pensamento minado por um sistema econômico capitalista, mas sim algo que ocorreu durante toda trajetória do homem sobre a terra.
Hoje, confundimos a grande revolução tecnológica em que estamos com a evolução plena da humanidade. Confundimos a dificuldade que o homem tem em se relacionar bem com seu semelhante com um problema do nosso tempo.
O que está acontecendo não era para ser assim. O homem desenvolveu muitas qualidades, mas não sabe lidar com os fundamentos básicos. Em face disso, surge o questionamento: do que adianta tecnologia avançada se as relações sociais estão atrasadas??????????

domingo, 13 de abril de 2008

A HORA SEMPRE É AGORA



Toda pessoa tem capacidade de perceber de forma objetiva sua existência terrena, ou, mais especificamente, é capaz de se dar conta das ações que realiza e no que elas implicam e significam.
Quando o auto-conhecimento começa, só conseguimos pensar em como toda esta noção de eu, do que somos, é apenas uma estrutura lógica. Um lugar para abrigar momentaneamente todas as abstrações. Agora é o tempo de adquirir consciência, de dar forma e coerência ao mistério. Estamos participando disso. É uma dádiva. A vida gira ao nosso redor e cada momento é mágico. Mesmo lidando com tantos impulsos contraditórios.
Quais são as barreiras que impedem as pessoas, de alcançarem, minimamente, o seu verdadeiro potencial? A resposta a isso pode ser encontrada em outra pergunta, que é... Qual a característica humana mais universal? Medo ou a preguiça? A caminho de descobrir o que amamos, achamos o que bloqueia nosso desejo. O confronto jamais será confortável.
Exercite plenamente sua mente, sabendo ser apenas um exercício. Construa artefatos, resolva problemas, explore os segredos do universo. Usufrua de todos os seus sentidos. Sinta alegria, pensar, riso, empatia. Leve a memória em sua bagagem. Examine a natureza de tudo o que você observa.
Interrompa a experiência cotidiana e as expectativas que ela trás. Viva como se tudo dependesse de suas ações. Rompa o feitiço da sociedade de consumo para que nossos desejos reprimidos possam se manifestar. Demonstre o que a vida é e o que ela poderia ser.
O desafio é nos libertarmos do negativo, que nada mais é do que nossa própria vontade do nada. E uma vez tendo dito sim ao instante, a afirmação é contagiosa. Ela explode numa cadeia de afirmações que não conhece limites. Dizer sim a um instante é dizer sim a toda a existência.Viver corresponde também à busca do conhecimento mais profundo, sobre os outros e sobre o mundo. A expansão de suas habilidades, especialmente mentais, fundamenta-se na aspiração de transcender sua própria condição humana.

"É você próprio uma questão colocada ao mundo e deve fornecer sua resposta; caso contrário, estará reduzido à resposta que o mundo lhe der".

Quem tem a resposta e não a compreende vive do mesmo jeito que quem nunca a teve.

quarta-feira, 26 de março de 2008

508 ANOS DE BRASIL: Vou te mostrar o que não aparece no cartão postal.

Há uma constante que atravessa toda a história do Brasil. Estes 508 anos assistiram a transformações mirabolantes, mas o que não tem mudado nesses cinco séculos é que a colônia, depois o país, funcionaram sempre em favor de uma pequena minoria que está no topo da sociedade- e de uma extensão variável à volta dessa elite- e contra a imensa maioria da população.
Isto foi verdade na época da escravidão e de uma sociedade pensada para efetuar exportações primárias, é ainda mais verdadeiro hoje em dia, quando a tão propagada "globalização" traduz-se, na prática, em concentração de renda e desemprego, que continuaram crescendo aqui como em outros lugares, e no aumento do abismo econômico e tecnológico entre os países ao norte e ao sul do equador. Enquanto os recursos e capitais continuam tendendo a concentrar-se muito majoritariamente "acima" daquela linha, oportunidades ocas são pretensamente abertas "a todos" no processo de mundialização da economia. Tamanha hipocrisia.
Nas circunstâncias deste século, as vozes que se levantam contra tal estado de coisas são poucas. Predominam aquelas que afirmam que tudo que está acontecendo é inevitável. O que não é novidade. Os cientistas sociais conservadores sempre tentaram demonstrar que o que existe, existe porque é necessário.
O óbvio, é que precisamos de "um Brasil oposto a este que está", que não exclua da cidadania efetiva a imensa maioria das pessoas. O oposto, portanto, de um Brasil oligárquico, cada vez mais excludente e integrado a um capitalismo insensível. Há pouco tempo, nossos governantes cantavam as loas de um Estado "de bem estar"- arma eficaz na luta contra os movimentos socialistas- Agora se gasta cada vez menos com a educação e saúde gratuitas, alegando mentirosas razões incontornáveis de fundo demográfico e econômico.
O conhecimento histórico da nossa realidade viabiliza um olhar profundo no olho da tragédia em que estamos todos envolvidos e, mais do que isto, nos dá a consciência de que é possível e indispensável supera-la, através da organização, da atuação e práticas para elaborar um futuro mais digno para todos os brasileiros.

terça-feira, 18 de março de 2008

Luta entre as classes: processo cíclico


Em toda a história da humanidade sempre houve uma classe dominadora. Ditando tanto as normas econômicas como as de convívio social, enquanto outras classes lutavam por melhores condições de vida em razão das fortes desigualdades existentes.

O homem sempre buscou uma melhor posição dentro de uma sociedade. O homem sempre procurou viver da melhor maneira possível. E quando esse marco de hegemonia é alcançado por uma classe de pessoas, logo armam uma maneira de permanecerem com o controle da situação.
Daí surge a eterna luta entre as classes, pois, mesmo as classes desfavorecidas, uma vez no poder, agirão do mesmo jeito para manter sua liberdade e autonomia. Pelo menos, foi assim que sempre aconteceu.
Essa luta sempre ocorreu na vantagem de uma classe em detrimento de uma outra, ou outras. Qual será a solução para quebrar este ciclo? Considerando que a luta por uma vida melhor é um processo natural e que desencadeia essa eterna disputa. O comunismo é o que mais se aproxima de uma sociedade mais igual para todos. Mas diante de algumas "supostas" vantagens que o capitalismo apresenta, perdeu muito do seu espaço. Muitos acreditam que uma sociedade comunista será menos prazeirosa. Esse é um pensamento difundido pela classe dominadora: os burgueses. O otimismo hipócrita foi lançado, trabalhe duro e terá dinheiro. Isso não é verdade, pois as oportunidades não são as mesmas.
Hoje acontece assim, a classe forte domina e dita as regras do jogo. Enquanto os fracos, por sua vez, só não querem ser dominados e oprimidos. Resultado, conformismo social. Um grande problema de nosso tempo.
Para uma sociedade buscar a igualdade para todos e sustentar isso, é interessante lembrar de um dito para demonstrar como isso pode ser possível: "Antes que mudem os reinos, primeiro é necessário a mudança dos povos."